Al Di Lá

Você se lembra do filme Candelabro Italiano?

domingo, 16 de outubro de 2011

Meu Diário.


Por que ninguém entendeu aquele meu devaneio de dias atrás? Teria sido uma infeliz referência inspirada naquelas andorinhas do Becquer e que acabou alojada no diário do Gogol? Uma navegada que começou com a leitura de um poema do Byron e escorregou para os versos e as rezas do Michael Quoist? Ou foi a lembrança daquela quermesse... Lá no Porão do Colégio das Irmãs. Lá em cima, na Coxilha do Fogo. Foi. Recordo aquele telegrama todo carinhoso que mandei. Falava da minha admiração e citava o Roberto Carlos. Também, pudera... Ele era a coqueluche da época e a música que dediquei falava em me aquecer no inverno. E qual foi a resposta? Qual foi? Que eu fosse junto com o tudo mais para o inferno. Ah! Mas eu continuei insistindo, naquela noite. E, não contente com o fora que estava levando, paguei para prendê-la. Vi que passava algemada para a cela e que seu sorriso tentava adivinhar quem era o seu algoz. Depois, eu mesmo, ante o medo que outro admirador se aproveitasse do ensejo e a tirasse da cela - quem tem, tem medo... - paguei pela sua liberdade. Voltou para a mesa onde estava, ao lado da minha. De costas um para o outro e eu ouvindo os comentários. Ela, querendo saber quem era o admirador secreto. Eu, fazendo conta de cabeça. No recinto havia um alto-falante, lembram? Não? Também, faz tanto tempo! Tanto... Foi quando eu resolvi mudar de tática. Afinal, na conquista, mesmo o exagero se torna mínimo. E eu, tendo que ousar ao máximo, sob pena de me arrepender, se não o fizesse, apelei para uma dedicatória. Música italiana... Não, não foi Se piangi, se ridi. Não foi essa, não. Essa eu guardo até hoje, inédita, sem ter tido a oportunidade de usá-la... Teria sido Roberta? Ou Non ho l’età? Lembrei!!! Foi Al di là, do Perícola, cantada pelo Jerry Adriani. Sei, sei, ela também me arrepia. Até hoje me arrepia... Três vezes o alto-falante anunciou: para a moça de tubinho azul calípso, com o maior carinho... Agora, vêem no que deu? Não há mais quermesses, não se prende nem se dedica música por alto-falantes e não há mais telegramas - nem os de verdade, os dos Correios e Telégrafos. A ingenuidade, junto com a quermesse e o vestido tubinho, morreu há séculos... Mas ela, com todo o respeito, continua deslumbrante quando caminha pela Doutor Monteiro. Ma-ra-vi-lho-sa!!!

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